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Thérèse D | Crítica

Aula de atuação

À parte a experiência vivida em O Código Da Vinci, Audrey Tautou se dedica em tempo integral ao cinema francês. Em recente entrevista, a atriz deixou claro que não troca seu país por nada, e que Hollywood não está nem de longe na sua lista de aspirações profissionais.

Audrey é mesmo um caso raro – e também digno de nota. Aos 39 anos, tem pelo menos uma dezena de excelentes interpretações no currículo, uma beleza exótica que serve de molde a uma das marcas mais conceituadas do mundo, a Chanel, e uma personalidade tão adorável que, sozinha, já seria motivo de atenção. É também o oposto das atrizes que insistem na difamação do cinema europeu, como a intragável Bérénice Marlohe (a bondgirl de Skyfall), que há pouco definiu os filmes franceses como “chatos e simplórios”.

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Uma declaração como a de Bérénice revela o quão singular é a decisão de Audrey. E, mais ainda, esboça a distância imensurável entre estrelismo e talento. Em Thérèse D (Thérèse Desqueyroux, 2012), esse talento exímio de Audrey é novamente confirmado. Na segunda adaptação do romance do escritor François Mauriac para as telonas, a protagonista Thérèse é vítima de dois crimes: o de ter nascido na época errada e o de ser trancafiada numa prisão invisível, seu casamento.

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Calada pela força das convenções sociais da década de 20, Thérèse se torna propriedade do marido por conta de um matrimônio conveniente, com a única finalidade de unir hectares de pinheiros. Até que, quase inconscientemente, tenta envenená-lo com doses a mais de arsênico. O único subterfúgio de Thérèse é Anne, sua cunhada e amiga de infância, que de início deseja se livrar das censuras da família, mas depois acaba por se entregar a elas.

Diferentemente do longa de 62, com Emmanuelle Riva, o filme do diretor Claude Miller – que faleceu pouco antes de ter sua melhor obra lançada – segue uma narrativa linear. O resultado é menos um estudo de personagem, e mais uma representação de uma mulher que comete um crime sem ser uma criminosa. Pelo contrário, o maior delito aqui é aquele imposto a Thérèse: o de ter a liberdade aniquilada em nome dos costumes.

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Com tranquilidade e enlevo, Miller utiliza seu estilo clássico para discutir uma causa moderna, o feminismo. Entre os destaques – a direção de arte sublime, a trilha discreta e os diálogos incrivelmente bem escritos –, o maior é o desempenho de Audrey, que capta desde a menor aresta do misto de angústia e franqueza que caracteriza Thérèse.

Em Thérèse D, Audrey não brilha somente: ensina o que é atuar.

ASSISTA AO TRAILER

 

thérèse d, thérèse desqueyroux, audrey  tautou, audrey tautou filmes, filmes franceses, cinema francês, filmes franceses para assistir, filmes franceses legendadosFicha Técnica

Título Original: Thérèse Desqueyroux
Ano de produção: 2012
Direção: Claude Miller
Elenco: Audrey Tautou, Gilles Lellouche e Anaïs Demoustier
Gênero: Drama
Duração: 110 minutos
Distribuidora: Imovision

 

 

 

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Angelo Capontes Jr. escreve críticas cinematográficas há cinco anos. Formado em Jornalismo, começou a carreira em jornais impressos e sites de entretenimento. Atualmente, é editor e crítico de cinema do filmesfranceses.com.br.